domingo, 23 de abril de 2017

Recalque

Disse adeus à havaiana surrada
"E que encontre um novo par
enquanto corre na enxurrada!"


segunda-feira, 27 de março de 2017

Made in Minas

Para o prazer daquela que
enquanto pausa não haveria
de ser pronunciada:

uai é vírgula.

E vamos com vírgulas
pronunciando pausas.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Recorre quando sinto viver em paralelo
a momentos que me trazem,
disforme, o passado.
Quando, é claro, a indiferença
não se torna mais espontânea
do que a memória

Desses, o mais dramático,
objeto de pesquisas científicas
individuais e minuciosas,
traz um gráfico de fundos de poço
traduzidos por linhas que
se encontram em topos

Formam imagens de milhares
de mim mesma

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Dito nada, resta tudo
o que não pode
ser dito

(lendo cortázar)

domingo, 31 de julho de 2016

Dia mundial do orgasmo

O grande ahhh do dia
Foi de melancolia

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Poema para o fim

Cada dia se faz mais teu
aquilo que perderás

Até que ao morrer novamente,
perceba que as lágrimas
ocupam o lugar dos espamos

Elas te ressuscitarão após
a morte, por afogamento

E quando vierem novamente
mostrarão a ti que nunca viveste,
apenas morre lentamente

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Duas mulheres diferentes que igualmente desconheço:
A mulher interior, doce, leve, matutina, criança
A exterior, defesa a postos, masculina, estratega

É como se te visse nos bancos da escola dominical
Seus cabelos castanhos abrasados pelo
sol que atravessa a janela
Seus olhos percorrem as letrinhas de sua bíblia
Igualmente curvado não presto atenção no que fala Deus
prefiro contemplar a criação, uma menina de perfil que lê
e para ao se perceber observada.

Igrejas são fábricas de platônicos
Saem aos montes e não se curam
nem em análise

E assim sou eu
E assim é você

Distância é uma palavra que uso com frequência
Mesmo estando próximo.

(Poema de Rogério Cathala)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Tuas gotas


não recolhi

Tuas gotas


Escorrem do teu corpo
                     meus versos

ou os versos que brotam de ti

são teus os poemas dos dias ensolarados


sábado, 20 de dezembro de 2014

Poeta


Da janela do meu quarto
não sobra sol de
tanto pingo

mas sobra poeta.
Poeta não se bronzeia e se,
não é poeta

Mas se na sombra
vegeta, veja só:
poeta

domingo, 7 de setembro de 2014

Aos descendentes

Minha mãe diz
que a bisavó foi
pega no laço

que era índia bonita
do cabelo liso
e do sorriso afiado

que agradecia
às bilocas azuis do vovô
que ninguém havia herdado

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Reza

No mundo do culto
Tudo no canto
Até o que é santo

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Em Estrela do Sul

Os moradores se orgulham
de terem saído em uma página
da Revista Cruzeiro
na década de setenta

Era a foto de uma placa
grudada na entrada de um
restaurante que dizia -
Fechado para o almoço

Quem disse foi Seu Branquinho
logo depois de me olhar e perguntar -
Olha que grama verdinha,
Não te dá vontade de pastar?

quinta-feira, 28 de agosto de 2014


Feiticeiro feliz
É o que faz simpatia
Do que está por um triz

sábado, 23 de agosto de 2014

cada canto é tão ciclópico


Por menor que seja toda
sexta-feira termina um ciclo
e é por isso que são ciclópicas
todas as segundas-feiras,
ciclotímidas segundas-feiras
dos ciclistas

Mas há também as segundas-feiras
dos ciclorápidos
cicloferas, cicloincríveis
meninos de triciclos,
para eles são também ciclópicas
as segundas-feiras

Para mim o caderno aberto há horas
já se tornou ciclópico,
confirmando que pendurar
um poema na  
                      cabeça
não nos redime

Enorme já é cada pingo que cai lá fora
os quais confundo as vezes com
o chuvisco que soa agora de um velho
disco

terça-feira, 22 de julho de 2014

Viajar

Vaguear
Até se tornar 
O lugar
Um vago lar

Porém voltar

sábado, 10 de maio de 2014

Líquidos

Entre a dor do
Dolo
E a cor do
Colo

Líquidos.
Lembram-se de quando
O amor era no
Tête-à-tête

(Silêncio: - corpos resvalam-se em um carpete)

Não se importam
Dão todo tributo aos vinte minutos
São efêmeros
Como um ninho que se recolhe no mar

Ou como um segredo.
Mas há lugares
Amor
Em que o tempo não chega

Frentes frias
Sempre caminham
com as costas
quentes...

sábado, 19 de abril de 2014

sábado, 15 de março de 2014

Leito


Quando a noite
é de lua crescente
o céu vira poente

e a lua se deita na estrada

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Meia-noite


Todo mundo é meio
Meio
Até virar um copo
Cheio

sábado, 4 de janeiro de 2014

Virada


a partir de agora repete
365 dias no ano
cai um sol do céu

(com Lucas Carvalho)

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Aniversário


em alto mar
o horizonte apaga a luz
de uma vela

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Variações sobre um dia nublado


1
Depois da chuva à luz do dia andamos desprotegidos
sem sombra

2
Se está nublado e se está sozinho está sozinho
está sozinho

3
Depois da chuva se há uma enxurrada nem
minha sombra nada

4
Sem sombra em um dia nublado a solidão me pega
desacompanhado

5
Sem sombra e sol sai na rua sem rumo
um girassol

6
Se viajo com chuva no alto da serra minha mão e a neblina
uma nuvem minha

7
No horizonte da rua ensaia um sol
o amarelo do farol

Tanta neblina, menos mal
que antes que eu siga
um verde desliga
um sol no sinal

domingo, 29 de setembro de 2013

domingo, 25 de agosto de 2013

Estendem-se os amantes


Alongados na cama
tecem teias de braços
pernas, dedos
de corpos cacheados

Estendem-se os amantes

No vinco dos lençóis
a dobra da sobra
de um desembrulho

domingo, 11 de agosto de 2013

Cítrica

Essa história aconteceu na roça
Havia um pé de laranjeira
Um moleque trepado lá em cima
E minha tia menina no pé

Minha tia conta que caiu lá do topo
Uma folhinha com o escrito -
(feito com a ponta de um galhinho)
Quer namorar comigo?

Ela queria muito responder que sim
Apaixonada e dificílima
Escreveu do outro lado da folhinha
Que iria pensar...

sábado, 27 de julho de 2013

Segredo

Escrever pouco
é estar feliz o bastante
ou ficar triste muito pouco?

namorei um japonês
(mamãe diz)
um amor profundo
mas seu avô não deixava
porque japonês
era homem de outro mundo

"I got my sex...
I got my boobs..."
no itunes

Rindo muito
eu e mamãe aqui

(Hoje, minha mãe faz 50 anos...)

terça-feira, 2 de julho de 2013

Do amor que vale o silêncio [2]

À espera de tanto [a]mar

livrou-se do órgão no peito

a mulher à beira da onda

como a rocha litorânea

crivada pela água do mar

Do amor que vale o silêncio


Quão mais platônicos,
são frente a frente,
os amantes,
mudos.