sábado, 24 de julho de 2010

O que é o silêncio?

sexta-feira, 16 de julho de 2010

gosto do imprevisível 
disse 
a bola de cristal 

quarta-feira, 14 de julho de 2010

So much to tell to nobody

domingo, 11 de julho de 2010

A Teta Assustada


Quero deixar aqui algumas palavras embaraçadas dos sentimentos e percepções que tive após ver este filme.

A Teta Assustada não é um filme pornô, muito menos a continuação de "Não é mais um besteirol americano". Traduzido ao pé da letra do seu titulo original "La Teta Asustada", (um grande mérito brasileiro não ter embelezado o título como fez a industria americada que o traduziu para "the milk of sorrow") o longa da diretora peruana Claudia Llosa, conta a historia de Fausta, uma moça que sofre de uma doença folclórica, fruto de uma época difícil enfrentada pelo Peru e que é transmitida através do leite materno de mulheres que foram violadas durante a guerra civil no país.

Tenso como sua protagonista, o filme nos parece dizer o tempo todo "olha, esta história não é uma ficção" e consegue fazer isso muito bem quando intercala nos momentos tristes mas de leve beleza alguns aspectos culturais do país, como o casamento da prima de Fausta, um elemento de essencial contraste no filme. Contrastes que continuam, Claudia Llosa trabalha muito bem os opostos: timidez e extroversão, classe baixa e classe alta, cultura provinciana e cosmopolita, centro e periferia...Observe o contraste entre as ruas movimentadas do centro de Lima com o deserto de areia das comunidades periféricas, também veja como é lindo ver os jardins coloridos em meio tanto marrom. Claudia lhosa é singela ao nos incomodar.

Junto a isso, interessante perceber como a trilha sonora se encaixa como enredo e não como elemento adicional na construção de uma emoção. Créditos a bela atriz Magaly Solier e nas narrativas tremulamente cantadas ao longo do filme. A dor e o terror descritos com a leveza de uma cantiga de ciranda.

Belo e inquietante. Não consigo mais palavras que não esse texto nada linear.

Reverência.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Fim

Pensei que não ia acabar nunca, que não ia conseguir, chorei, ri, suei, acreditei em algo que nem sabia o que era ainda. Meu sorriso não se limita apenas a uma nota boa e elogios, mas na compreensão que tive do que é ser uma arquiteta. Algo que somente consegui entender nesses 365 dias junto ao TFG. Sou arquiteta como achei que não poderia ser nos primeiros anos de curso.
Nesse 1 ano, vi que arquitetura não estava em frases bonitas, em citações de grandes gênios mas na capacidade que temos de observar a nossa volta, de relacionar tudo que gostamos, sentimos e sofremos. Tudo é arquitetura. Planejamos para sobreviver e tratamos nosso próprio corpo como um projeto a perdurar o máximo de tempo possível. Arquitetura é enxergar os detalhes e não se vislumbrar com um forma indecifrável. A forma não vem antes de tudo isso. O que vem antes da arquitetura?Nós sempre aprendemos, durante e depois da idéia primeira, que projetar é buscar soluções e acreditamos que arquitetura é isso, algo legal que vira um problema a ser solucionado. Depois vem o "ufa acabou". Vi a arquitetura assim por muito tempo.

Não tenho mais medo de fazer de um projeto a minha diversão, e ao mesmo tempo tratá-lo com a seriedade merecida, um jogo pode ser sério na medida exata. Até para ser arquiteto existe uma medida exata, mas não se engane, os níveis desse copo podem ser diferentes de pessoa para pessoa, e nesse caso, não há problema nenhum se a medida correta transbordar.

Se existe um lugar onde a arquitetura deve estar, é sobre uma linha tênue entre o racional e engraçado, o sério e o divertido, com o todo direito de ser prazeirosa, sempre.

Lineu - Caixa-Parasita para um cinema itinerante
ilimitado, incompleto e inacabado, como deve ser.