sábado, 24 de julho de 2010

domingo, 18 de julho de 2010

Caça às bruxas em cor de rosa

Me incomoda muito as argumentações que aparecem quando o assunto é homossexualismo e igualdade nos direitos civis. Como se a igreja representasse a justiça de Deus na terra, centenas de religiosos saem às ruas em passeatas que lembram uma caça as bruxas moderna, sem a obscuridade que vemos nesses filmes que retratam épocas medievais. É extremamente contraditório que esses mesmos justiceiros divinos esqueçam de um dos mais belos mandamentos de Deus: "Ame ao seu próximo como a ti mesmo", e juntamente contradizem o direito de livre arbítrio dado por Deus a todos. Trasformam em ódio e crimiminosos centenas de pessoas, não só homossexuais mas heterossexuais, os quais desacreditam cada dia mais nas religiões, estas com premissas cada vez mais segregadoras. Cada dia creio mais que não há transparência de divindade nesses conjunto de seres humanos que descartam as frases dos adesivos que colocam nos carros, que dizem "Deus é amor", sem ao menos entender o nome e a grandeza do seu significado. O mesmo Deus que criou os céus e a terra é o Deus desses adesivos? É o Deus que descerá numa ira violenta como um anti-herói da Dc Comics e se vingará de todos que não o seguiram? Ora, vejo que são esses religiosos fervorosos os ultimos a se juntarem numa campanha contra a violência, o tráfico, a corrupção no senado, a reforma na educação brasileira ou o escambal. Qual a hierarquia de importância nas milhares de questões aí lanvantadas a cada dia? Qual o tamanho do espírito de porco encrustado em cada um de nós que prefere se chocar com o caso do goleiro bruno do que com uma infinidade de questões mais importantes?

"Deus está para além de Deus"- Paul Tillich

ps: sim, ainda acredito em Deus.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

gosto do imprevisível 
disse 
a bola de cristal 

quarta-feira, 14 de julho de 2010

domingo, 11 de julho de 2010

A Teta Assustada


Quero deixar aqui algumas palavras embaraçadas dos sentimentos e percepções que tive após ver este filme.

A Teta Assustada não é um filme pornô, muito menos a continuação de "Não é mais um besteirol americano". Traduzido ao pé da letra do seu titulo original "La Teta Asustada", (um grande mérito brasileiro não ter embelezado o título como fez a industria americada que o traduziu para "the milk of sorrow") o longa da diretora peruana Claudia Llosa, conta a historia de Fausta, uma moça que sofre de uma doença folclórica, fruto de uma época difícil enfrentada pelo Peru e que é transmitida através do leite materno de mulheres que foram violadas durante a guerra civil no país.

Tenso como sua protagonista, o filme nos parece dizer o tempo todo "olha, esta história não é uma ficção" e consegue fazer isso muito bem quando intercala nos momentos tristes mas de leve beleza alguns aspectos culturais do país, como o casamento da prima de Fausta, um elemento de essencial contraste no filme. Contrastes que continuam, Claudia Llosa trabalha muito bem os opostos: timidez e extroversão, classe baixa e classe alta, cultura provinciana e cosmopolita, centro e periferia...Observe o contraste entre as ruas movimentadas do centro de Lima com o deserto de areia das comunidades periféricas, também veja como é lindo ver os jardins coloridos em meio tanto marrom. Claudia lhosa é singela ao nos incomodar.

Junto a isso, interessante perceber como a trilha sonora se encaixa como enredo e não como elemento adicional na construção de uma emoção. Créditos a bela atriz Magaly Solier e nas narrativas tremulamente cantadas ao longo do filme. A dor e o terror descritos com a leveza de uma cantiga de ciranda.

Belo e inquietante. Não consigo mais palavras que não esse texto nada linear.

Reverência.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Fim

Pensei que não ia acabar nunca, que não ia conseguir, chorei, ri, suei, acreditei em algo que nem sabia o que era ainda. Meu sorriso não se limita apenas a uma nota boa e elogios, mas na compreensão que tive do que é ser uma arquiteta. Algo que somente consegui entender nesses 365 dias junto ao TFG. Sou arquiteta como achei que não poderia ser nos primeiros anos de curso.
Nesse 1 ano, vi que arquitetura não estava em frases bonitas, em citações de grandes gênios mas na capacidade que temos de observar a nossa volta, de relacionar tudo que gostamos, sentimos e sofremos. Tudo é arquitetura. Planejamos para sobreviver e tratamos nosso próprio corpo como um projeto a perdurar o máximo de tempo possível. Arquitetura é enxergar os detalhes e não se vislumbrar com um forma indecifrável. A forma não vem antes de tudo isso. O que vem antes da arquitetura?Nós sempre aprendemos, durante e depois da idéia primeira, que projetar é buscar soluções e acreditamos que arquitetura é isso, algo legal que vira um problema a ser solucionado. Depois vem o "ufa acabou". Vi a arquitetura assim por muito tempo.

Não tenho mais medo de fazer de um projeto a minha diversão, e ao mesmo tempo tratá-lo com a seriedade merecida, um jogo pode ser sério na medida exata. Até para ser arquiteto existe uma medida exata, mas não se engane, os níveis desse copo podem ser diferentes de pessoa para pessoa, e nesse caso, não há problema nenhum se a medida correta transbordar.

Se existe um lugar onde a arquitetura deve estar, é sobre uma linha tênue entre o racional e engraçado, o sério e o divertido, com o todo direito de ser prazeirosa, sempre.

Lineu - Caixa-Parasita para um cinema itinerante
ilimitado, incompleto e inacabado, como deve ser.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Excomunhão

de Ricardo Gondim

Estou ouvindo o áudio book, “Generous Orthodoxy”, do Brian McLaren, presenteado por meu amigo Carlos Alberto Junior.

Espero e oro para que alguma editora brasileira se apresse em traduzi-lo (quem sabe inglês deveria comprá-lo imediatamente, aproveitando que o dólar está barato).
Quando ouço esse pessoal da “Emergent Church”, com quem tenho grande afinidade, mais me convenço de que o movimento evangélico, ou “evangelical”, permita-me o estrangeirismo, é um barco que faz água.

Há algum tempo, afirmei que não me considero mais “evangélico” e causei espanto entre meus pares. Porém, cada dia que passa, quanto mais notícias ruins sobem dos porões denominacionais, e quanto mais o Youtube mostra piadas sobre o besteirol dos púlpitos, mais convencido fico de que nada tenho a ver com o que foi meu berço religioso.
Minha “auto-excomunhão” do movimento evangélico não é estética, embora eu não tolere mais ouvir os cânticos de poesia rala e de música pobre que fazem sucesso; não agüento mais hinos de guerra, convocando os crentes para pisar os inimigos. Nem falo das coreografias das danças. Horrorosas!

Minha “auto-excumunhão” do movimento evangélico não é ética, embora eu tenha nojo do grande número de políticos que, em nome de Deus, exercem seus mandatos com as mesmas práticas que os mais nefastos; não suporto mais conviver com evangelistas e pastores, donos de um discurso radical quanto ao dogma, ao credo, ao moralismo sexual, e que sabem papagaiar a Reta Doutrina, mas se comportam como inescrupulosos manipuladores, sempre ávidos por dinheiro.

Minha “auto-excomunhão” do movimento evangélico não é doutrinária. Eu continuo crendo na Trindade; tenho a Jesus Cristo como Senhor e Salvador de minha vida; falo em línguas estranhas desde minha experiência pentecostal; creio e dou testemunho de milagres; oro por libertação de endemoninhados e aguardo novos céus e nova terra.
Minha “auto-excomunhão” do movimento evangélico aconteceu porque não posso conviver com auto-proclamados “teólogos” que guardam suas doutrinas e conceitos como verdadeiras vacas sagradas; não gosto do clima de caça às bruxas, que apedreja e queima quem ousa mexer em “cláusulas pétreas”.

Não tolero a intolerância, não aceito a exclusão, não me sinto bem com discursos fundamentalistas. Acredito que toda interpretação é interpretação e nada mais, e que ninguém – nem Santo Agostinho, nem Armínio e nem eu – tem a última palavra quanto a verdade.
Minha “auto-exclusão” do movimento evangélico aconteceu porque cansei de ficar tentando ler a Bíblia com o literalismo fundamentalista. Acho fatigante ter que, constantemente, fazer ginástica para explicar com a exegese própria dos evangélicos, textos que discriminam as mulheres em Deuteronômio, ou aquele que Deus manda um espírito de mentira para confundir os profetas.

Não quero mais fazer contas para explicar para os adolescentes como a arca de Noé pôde abrigar todos os insetos, mamíferos, aves, répteis e batráquios do planeta.
Minha “auto-exclusão” do movimento evangélico aconteceu porque não tenho mais estômago para ficar ouvindo sermão do tipo: “Deus é poderoso, ele vai fazer milagre”, e fechar meus olhos para os exilados de Darfur, ou para os miseráveis que esperam nas filas dos ambulatórios imundos da baixada fluminense.

Não quero viver a fé ensimesmada e privatizada que tanto se alastrou, e que busca, ou convive, com o conceito burguês de mundo. Na verdade, não consigo mais orar pedindo bênção, proteção, imunidade, prosperidade ou livramento. Não quero ter que exercitar fé para “ver Deus abrir as janelas do céu”.

Minha “auto-exclusão” do mundo evangélico aconteceu porque tenho sede de ser íntimo de Deus; porque, intuitivamente, percebo que a Bíblia possui uma riqueza imensamente maior do que me ensinaram; quero viver na liberdade do Espírito, sem medo das implicações e dos desdobramentos mais “perigosos” dessa decisão.
Minha “auto-exclusão” do mundo evangélico aconteceu porque me apaixonei por Deus de uma maneira que considero linda - mas que fica na contramão da maioria.

Estou tão absolutamente cheio de curiosidade sobre dimensões da verdade que, reconheço, jamais compreenderei completamente; estou com sede de ler como nunca li, rir como nunca ri, dançar como nunca dancei; orar como nunca orei. Quero glorificar a Deus com leveza, sem paranóias de que o diabo vai me pegar se eu der brecha ou que serei punido com rigor se pisar na bola.

Minha “auto-exclusão” do mundo evangélico aconteceu porque hoje vejo meu Próximo como amado de Deus e não mais como filho da ira; de repente, comecei a perceber que a Graça foi espalhada sobre a terra assim como o sol, que indiscriminadamente abençoa.

Tento desvencilhar-me da linguagem excludente dos crentes. Já não tenho medo de dizer que aprecio “música do mundo”, que considero os "Médicos Sem Fronteiras" uma bela expressão do amor de Deus, e que vou estudar, com enólogos, os mistérios dos melhores vinhos. Antes que me esqueça, não acho que treinar para uma maratona seja perda de tempo.

Não me definirei por nenhum movimento porque acho que os movimentos, qualquer um, são cercas que empobrecem; não defenderei uma teologia específica, nem a Relacional, porque não acredito que elas sejam suficientes para explicar o Eterno – Gosto da frase de Paul Tillich: “Deus está para além de Deus".

Para onde vou daqui pra frente? Anseio caminhar humildemente com meu Senhor; vou tentar ser justo, desenvolver um coração misericordioso e amar a paz.
Soli Deo Gloria.