terça-feira, 15 de setembro de 2009

acessos

A partir de uma experiência urbana, guiada pela atração promovida pelos elementos que compõem a cidade, um caminho é percorrido sem o estabelecimento de um ponto final. Uma espécie de “deriva” (andar sem rumo), com toda a condição de se ter partido de um local consideravelmente íntimo, em um primeiro momento.

Uma situação de estranhamento, que se torna confortável na medida em que nos dispomos a, simplesmente, sentir. Um ato atípico, para qualquer vida, mas que promove a apresentação de outros pontos de vista, que impulsionam o sentimento de desencontro com a particularidade banalizada por tempos e convenções.

O caminho passa a ser marcado por singelas marcações enquanto a gradativa inserção na escala do homem promove a possibilidade de experimentação de espaços não convencionais a nós, mas, quem sabe, banais à outras rotinas.

O próprio corpo é utilizado como alternativa de apreensão sensorial de espaços construídos para servir outros corpos, que não os nossos, até então. Esta experimentação denunciou a freqüência de elementos arquitetônicos contemporâneos que conduzem a momentos, mas que não existem em um imaginário formal criado nas relações de apropriação do espaço ou na memória referente a dado espaço. Elementos de deslocamento pensados para servir o homem, que se referem a uma necessidade real de transposição pública e que por suas características de implantação segregam e selecionam, anulando possibilidades de uso.

Estas alternativas arquitetônicas, necessárias para a utilização pública do espaço, tornam-se um problema ao espaço construído por terem sido digeridas como simples necessidade espacial e que precisa ser anexada aos novos espaços e aos já antigos. É este entendimento superficial, de configurações espaciais socialmente adequadas, que fizeram com que rampas de acessibilidade a edifícios de acesso público se tornassem nosso atrativo para a criação de um percurso.

“Acessos” é a representação da reflexão desenvolvida sobre esses definidores espaciais e que desenham não somente espaços urbanos, mas inclusive, se possível, desenham o próprio uso destes espaços, apoiando a tendência urbana atual que se aproxima de uma programação formalizada.

Esses elementos de apoio a transposições é tornado realmente coletivo a partir do momento em que todos os usuários do espaço urbano passam a utilizar este recurso como meio para seus deslocamentos cotidianos.

Desta forma, “acessos” é tridimensionalizado em um conjunto de módulos de madeira em uma releitura dos elementos de acessibilidade e levado às ruas com diferentes combinações, gerando, assim, novos caminhos a percursos banais a todos passantes.

Esse módulo de transposição, além de proporcionar uma nova dinâmica ao cotidiano desanimado por horas marcadas, unificará o acesso a todos que por aí passarem e poderá oferecer outras percepções espaciais a partir do deslocamento vertical o qual estabelece.

Com caráter efêmero, o conjunto confeccionado proporcionará diferentes combinações destes módulos que serão adequadas aos distintos locais de montagem considerando as especificidades do entorno.

Os módulos serão inseridos no espaço urbano por 7 dias em diferentes locais da cidade. As transformações sensoriais ocorridas durante esse período serão registradas e expostas na Casa da Cultura de Uberlândia durante todo o mês de Outubro. Por enquanto, são desconhecidos os momentos consequenciais à essa intervenção urbana.
(texto de Ariel L. Lazzrin)

Autores do projeto: Ana Paula Tavares, Ariel Lazzarin, Mairla Melo e Kássia Borges.

Clique aqui para ver a fotos!!!
Lugar - Uberlândia Clube (5)

[esse texto também pode ser visto em www.idearium.com.br]

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Um estudo de caso ou o próprio caso?

Nessa quarta-feira dia 02 de Setembro, peguei a estrada rumo a Ribeirão Preto, cidade onde o projeto Cine Tela Brasil seria instalado no fim de semana. A fim de fazer uma visita ao projeto e ver de perto os processos de montagem e o passo a passo para a exibição dos filmes, passei 4h dentro de um onibus rabiscando e escrevendo tudo o que vinha a minha mente para q nada, nada passase desapercebido. E felizmente, graças a boa vontade da equipe e da minha disposição em ficar o dia todo debaixo do sol (oq me rendeu 1 tom de cor a mais), posso dizer q a experiencia foi 90% completa. Infelizmente nao puder ficar para a exibição dos filmes, mas oq mais interessava foi captado, creio eu.

O Cine Tela Brasil foi montado estrategicamente em frente a um CEMEI na periferia da cidade. Enquanto a estrutura era montada e as crianças passavam, as frases mais curiosas foram:

"-Moça, oq vai ter aqui?
-Um cinema.
-Paga quanto?
-É de graça
-De graça???"

"Hey, posso ajudar?"

Além do cinema, o projeto ainda oferece oficinas nas 3 semanas anteriores a chegada do Cine Tela. Os curtas produzidos durante essa oficina são passados no sábado, ultimo dia das exibições e dia em que também são promovidas palestras e um convidado especial aparece (normalmente atores e diretores de cinema nacionais).

A questão agora é: O Cine Tela Brasil é um estudo de caso ou pode ser o próprio caso? A idéia de tentar montar uma nova estrutura e solucionar os problemas vistos vem remoendo minha mente.

Nada está certo, eu nem tive meu 1º atendimento ainda! Um passo de cada vez.